"Só posso ter uma relação lésbica pública e viver como vivo porque muitas vieram antes de mim", diz

11/07/2019 14h40

"Só posso ter uma relação lésbica pública e viver como vivo porque muitas vieram antes de mim", diz.
Imagem: Helm SilvaBruna Linzmeyer e Priscila Fiszman(Imagem:Helm Silva)Bruna Linzmeyer e Priscila Fiszman

Capa e recheio da Glamour deste mês, Bruna Linzmeyer e Priscila Fiszman têm uma história de amor digna de suspiros românticos (ahhh <3). Em mais um trecho da nossa entrevista com o casal, elas falam sobre militância, casamento, planos de ter filhos e machismo. Vem ver!

Militar é preciso? Por quê?

Bruna: Só posso ter uma relação lésbica pública e viver como vivo hoje porque muitas vieram antes de mim. Entendo que, sim, militar é dar continuidade a uma história que permitiu que eu estivesse aqui e, quem sabe, continuar abrindo caminhos para as que virão. A existência de lésbicas em si já é uma militância. Porque grande parte do mundo público tem representações heterossexuais: a televisão, os livros, o cinema, as nossas famílias, os comerciais. Conseguir entender que o que se quer talvez não seja o que você tem como referência é um trabalho árduo, às vezes dolorido, mas importante, libertador e prazeroso.

Ser sapatão no Brasil é difícil?
Bruna: Para mim, hoje, enquanto mulher, sapatão, branca, dentro dos padrões de beleza, atriz, moradora de um bairro rico, numa cidade grande, é tranquilo, perto do que são outras realidades. Realidade de namoradas que não andam de mãos dadas na rua, de adolescentes expulsas de casa, sem suporte financeiro e emocional. De consultórios de psicanálise e psicologia que tentam “curar” o amor de uma sapatão, de profissionais que dizem que uma relação sem “falo” não existe. Realidades de muito cerceamento, opressão e culpa.

O que diria para quem tem aquela velha e distorcida imagem de que lésbicas e feministas odeiam homens?
Bruna: Não querer transar com eles e conseguir dar esse limite não é ódio, é respeito.

Tem vontade de casar? Acredita nessa instituição?
Bruna: Me casaria por questões burocráticas, se necessário, enquanto cidadã, para garantia de direitos.

Vocês são grudadas, do tipo que se falam sempre?
Bruna: Não moramos juntas, mas nos falamos o dia todo. Amo! Trocamos desde memes até referência de livro novo para o trabalho.

Imaginam-se juntas por muitos e muitos anos?
Pri: Sim, bem velhinhas, de cabelos brancos! Gatas. Curiosa para ver como vamos ficar.

Filhos estão nos planos?
Pri: Adotaria, alguuuum dia.
Bruna: Sei que a Pri adotaria. Nunca tive vontade de ser mãe, apesar de me divertir com crianças.

Topam fazer uma declaração pública aqui?
Pri: Te amo, docin.
Bruna: Quero te ver feliz, docin.
Imagem: Helm SilvaBruna Linzmeyer e Priscila Fiszman(Imagem:Helm Silva)Bruna Linzmeyer e Priscila Fiszman

Capa e recheio da Glamour deste mês, Bruna Linzmeyer e Priscila Fiszman têm uma história de amor digna de suspiros românticos (ahhh <3). Em mais um trecho da nossa entrevista com o casal, elas falam sobre militância, casamento, planos de ter filhos e machismo. Vem ver!

Militar é preciso? Por quê?

Bruna: Só posso ter uma relação lésbica pública e viver como vivo hoje porque muitas vieram antes de mim. Entendo que, sim, militar é dar continuidade a uma história que permitiu que eu estivesse aqui e, quem sabe, continuar abrindo caminhos para as que virão. A existência de lésbicas em si já é uma militância. Porque grande parte do mundo público tem representações heterossexuais: a televisão, os livros, o cinema, as nossas famílias, os comerciais. Conseguir entender que o que se quer talvez não seja o que você tem como referência é um trabalho árduo, às vezes dolorido, mas importante, libertador e prazeroso.

Ser sapatão no Brasil é difícil?
Bruna: Para mim, hoje, enquanto mulher, sapatão, branca, dentro dos padrões de beleza, atriz, moradora de um bairro rico, numa cidade grande, é tranquilo, perto do que são outras realidades. Realidade de namoradas que não andam de mãos dadas na rua, de adolescentes expulsas de casa, sem suporte financeiro e emocional. De consultórios de psicanálise e psicologia que tentam “curar” o amor de uma sapatão, de profissionais que dizem que uma relação sem “falo” não existe. Realidades de muito cerceamento, opressão e culpa.

O que diria para quem tem aquela velha e distorcida imagem de que lésbicas e feministas odeiam homens?
Bruna: Não querer transar com eles e conseguir dar esse limite não é ódio, é respeito.

Tem vontade de casar? Acredita nessa instituição?
Bruna: Me casaria por questões burocráticas, se necessário, enquanto cidadã, para garantia de direitos.

Vocês são grudadas, do tipo que se falam sempre?
Bruna: Não moramos juntas, mas nos falamos o dia todo. Amo! Trocamos desde memes até referência de livro novo para o trabalho.

Imaginam-se juntas por muitos e muitos anos?
Pri: Sim, bem velhinhas, de cabelos brancos! Gatas. Curiosa para ver como vamos ficar.

Filhos estão nos planos?
Pri: Adotaria, alguuuum dia.
Bruna: Sei que a Pri adotaria. Nunca tive vontade de ser mãe, apesar de me divertir com crianças.

Topam fazer uma declaração pública aqui?
Pri: Te amo, docin.
Bruna: Quero te ver feliz, docin.

Fonte Revista Glamour

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Tópicos: priscila, bruna, lésbica